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Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024
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Psoríase: doença pode impactar outros órgãos além da pele

A psoríase é uma doença conhecida por seu comprometimento na pele: superficialmente ela causa placas vermelhas com
escamas prateadas que acometem principalmente os cotovelos, joelhos e o tronco. Nos casos mais graves, pode se estender a
praticamente todo o corpo, afetando também couro cabeludo, palmas, plantas e região genital.
Esse aspecto da psoríase já é bem explorado, bem como o entendimento do profundo impacto da doença na qualidade de vida e
na autoestima, podendo levar à ansiedade, depressão e outros distúrbios psicológicos — efeitos que são exacerbados pela
estigmatização social –. Também já é bem conhecida a inflamação articular da doença, chamada de artrite psoriásica.
Entretanto, um aspecto ainda pouco discutido com a sociedade é a preocupante conexão entre a psoríase e o aumento do risco
de doenças metabólicas e cardiovasculares. Vários estudos têm demonstrado um aumento substancial na incidência

de obesidade, hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia (colesterol alto) e até mesmo infarto e AVC entre os pacientes com
psoríase, quando comparados à população geral.
Nesse sentido, um estudo no Reino Unido com 3.603 pacientes com psoríase mostrou uma redução média de expectativa de
vida de seis anos em relação ao grupo controle. Dados como esse trazem à tona o fato de a psoríase ser uma doença mediada
pelo nosso sistema imunológico com manifestação primária na pele, mas também com importante inflamação sistêmica.
É de suma importância que essas informações cheguem à população, pois muitos pacientes com psoríase moderada a grave
ainda permanecem sem tratamento. A demora no acompanhamento médico adequado eleva o risco de comorbidades.
A boa notícia é que, nas últimas décadas, houve uma verdadeira revolução no conhecimento sobre a psoríase e atualmente
dispomos de medicações excelentes, que são efetivas e seguras. Elas não só reduzem em mais de 90% as lesões de pele como

controlam a inflamação sistêmica.
Outro avanço importante é que os pacientes podem ter acesso às medicações necessárias ao tratamento da psoríase, uma vez que
são de cobertura obrigatória pelos planos de saúde, além de estarem disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde
(SUS).
Fica a mensagem de que negligenciar o tratamento da psoríase é um equívoco que pode levar a sérias consequências para a
saúde. É imperativo ampliar a conscientização sobre as ramificações sistêmicas da doença e a importância de um tratamento
abrangente e precoce.
*Anderson Costa é médico dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia]

veja.abril.com.br

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