Preço do arroz já deve cair nas próximas semanas, acredita Conab

A Companhia Nacional de Abastecimento diz que isso ocorrerá por conta da decisão do governo federal de facilitar a importação de arroz
Marina Barbosa

(foto: CB.DaPress)
A disparada de preços do arroz não será duradoura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) acredita que os preços caiam já nas próximas semanas, por conta da decisão do governo federal de facilitar a importação de arroz.

“A decisão de zerar a Tarifa Externa Comum (TEC) deve criar um novo teto de preços, abaixo do patamar atual. Acreditamos que a isenção da TEC será precificada pelo mercado no curto prazo e que as cotações sigam uma trajetória de estabilidade, com tendência de queda nas próximas semanas”, avaliou, nesta quinta-feira (10/9), o diretor-presidente da Conab, Guilherme Bastos.

A decisão de zerar a TEC, permitindo a importação livre de tarifas de 400 mil toneladas de arroz, foi anunciada nessa quarta-feira (9/9) pelo governo federal. A medida é uma resposta à recente escalada de preços do arroz, que tem incomodado consumidores de todo o país e também o presidente Jair Bolsonaro.

Preço do arroz subiu 19,25% em 2020
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o arroz já ficou 19,25% mais caro neste ano. A alta ocorre mesmo em meio à elevação de 6,7% da produção nacional de arroz, que chegou a 11,2 milhões de toneladas na safra 2019/2020, segundo a Conab.

Isso ocorreu porque o consumo interno de arroz também subiu, já que as pessoas estão fazendo mais refeições em casa na pandemia de covid-19 e as famílias de baixa renda estão mais aptas a abastecer a despensa devido ao incremento de renda causado pelo auxílio emergencial.

Mas também por conta da elevação das exportações brasileiras. Segundo a Conab, entre março e agosto deste ano, as exportações superaram as importações de arroz em 883,2 mil toneladas, o que acabou reduzindo a oferta e aumentando os preços internos do arroz.

A Conab também projeta, contudo, uma desaceleração dessas exportações. Para os próximos meses, a previsão é de um déficit de 483,2 mil toneladas – resultado da importação de cerca de 671,6 mil toneladas e da exportação de “apenas” 188,4 mil toneladas. Afinal, o Brasil vai poder importar arroz livre de tarifas e as indústrias de beneficiamento já avaliam que é mais barato comprar do exterior do que dos produtores internos.

“O preço interno já ultrapassa a paridade de importação dos principais mercados produtores. Já há um intenso movimento das indústrias de beneficiamento na busca dos produtos do mercado internacional”, explicou Bastos. Ele acrescentou que esse movimento também deve fazer com que as cotações elevadas “percam sustentação no médio prazo”.

Bastos destaca, por sua vez, que a redução de preços, se confirmada, não deve reduzir a rentabilidade dos produtores de arroz. “Estimamos que, mesmo com o alívio nas cotações, os preços ainda devem se manter remuneradores e trazer de volta a margem de lucratividade dos produtores de arroz”, afirmou o diretor-presidente da Conab.

A expectativa é, portanto, que esse choque do arroz também tenha efeitos no longo prazo, influenciando os produtores nacionais a elevar a área dedicada à produção do grão em 2021, após anos de retração da área plantada de arroz. “A Conab estima um aumento da colheita no próximo ano para o patamar de 12 milhões de toneladas, o que representa um volume 7,2% maior”, contou Bastos.