Governo lança ações para discutir suicídio, aborto e drogas nas escolas

O programa Ações de Educação em Saúde em Defesa da Vida, lançado nesta quinta-feira (10/9), será aplicado dentro das escolas brasileiras e dividido em quatro eixos

Maria Eduarda Cardim, Bruna Lima

(foto: Erasmo Salomão/MS)
Na mesma data que marca o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, o Governo Federal anunciou uma série de conteúdos educacionais para crianças e adolescentes tendo como foco a discussão de temas como saúde mental, aborto, uso de drogas lícitas e ilícitas. O programa Ações de Educação em Saúde em Defesa da Vida, lançado nesta quinta-feira (10/9), será aplicado dentro das escolas brasileiras e dividido em quatro eixos.
Por meio de cursos na modalidade de educação a distância, encontros de difusão do conhecimento e elaboração de material sobre as temáticas, as ações foram montadas em uma colaboração entre ministérios, sociedade civil e entidades da área e começarão pela qualificação de profissionais da saúde, educadores, lideranças de movimentos sociais, além de profissionais dos conselhos tutelares.
“Pela primeira vez na minha história pessoal de 30 anos como médica eu assisto o Brasil falar de educação e saúde como transformador da realidade social de um país. Educação tem poder de mudar o mundo. Educação com conhecimento de qualidade tem poder de transformar gerações”, abriu as apresentações a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro.
O programa será dividido em quatro eixos temáticos, escolhidos com base nos indicadores negativos e que, segundo Mayra, precisam ser corrigidos. Na primeira etapa, o ciclo itinerante será destinado à prevenção ao suicídio e à automutilação.

“O Brasil é primeiro país do mundo incidência de ansiedade, o segundo na incidência de casos de depressão. Quando falamos de jovens na faixa etária é de 15 aos 24 anos, o país tem o segundo maior número de mortes por suicídio. Agora, temos um problema grave: a epidemia de auto mutilação. Temos como prevenir isso e atuar precocemente nas nossas escolas, salvando os nossos jovens”, destacou Mayra.

Ao falar do segundo eixo, que tem como foco a gravidez na infância e adolescência, a secretária frisou os riscos para a saúde tanto das meninas gestantes quanto do feto, trazendo o aborto como um problema de saúde pública.

“Temos todos os anos 400 mil meninas que engravidam no país. A gravidez na adolescência, além de uma questão de risco pessoal, ainda traz para nós outra grave realidade: a questão do aborto, uma outra vida que é cerceada, eliminada, causando não só risco para a mãe, mais um dano irrefutável para vida humana”, disse.

As ações também englobam temas sobre a prevenção do uso de drogas lícitas e ilícitas, além de ética à vida, quando será abordado o combate à violência contra crianças, mulheres e idosos.

Presença ministerial
Em um breve discurso, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, demonstrou preocupação com o período após a pandemia do novo coronavírus. “A quarta onda é a da depressão, automutilação, suicídio que já está acontecendo como resultado da pandemia. Se nós não cuidarmos disso, se nós não tivermos programas que tratem isso de forma direta, perderemos mais pessoas para a pandemia que começou lá atrás”, declarou.

Quem também participou do lançamento foi a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), Damares Alves. Emocionada, ela celebrou o programa e relembrou da situação que viveu aos 10 anos de idade.

“Quando descobriram que aos 10 anos eu subi em um pé de goiaba para tentar me matar, eu virei a ministra da goiabeira, virei motivo de chacota, e ainda hoje não poupam oportunidades para rir da ministra que estava no pé de goiaba em profundo sofrimento querendo se matar aos 10 anos”, disse.

Para ela, as piadas que surgiram após a divulgação do vídeo em dezembro de 2018, em que Damares contava sobre a tentativa de suicídio, mostram quão longe o Brasil está de ser uma nação acolhedora. No entanto, a ministra acredita que com as ações lançadas isso pode mudar.

“Este é um novo Brasil, estamos vivendo uma nova nação, uma nação que por anos deixou às pessoas com doenças mentais para trás, uma nação que negligenciou esse tema”, ressaltou.
FONTE.correiobraziliense.com.br/

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