Polícia Civil revela participação de agente penitenciário em assassinato de caminhoneiro

Uma tragédia que começou com uma desavença entre patrões e empregado, teve um novo desdobramento envolvendo a participação de um agente penitenciário do sistema público de Vilhena. O policial penal foi delatado por um dos mandantes do homicídio de Emerson Mattes (44 anos).

O caminhoneiro foi assassinado a tiros em um posto de combustível do Bairro Parque Industrial, no dia 27 de janeiro de 2020. Depois de identificarem o veículo utilizado pelos criminosos, a Polícia Civil conseguiu chegar aos mandantes do homicídio: um casal de comerciantes, que eram patrões da vítima.

À época, entre as muitas informações descobertas, o principal motivo para que a morte de Emerson tenha sido arquitetada foi uma fraude envolvendo o seguro de um veículo. A vítima teria comparecido à Delegacia e relatado que foi obrigado a mentir afirmando um acidente de trânsito com o caminhão, pois senão seria mandado embora. O intuito com a fraude era que os chefes pudessem pedir o direito a um seguro.

Emerson também teria confirmado em depoimento que aceitou participar da fraude, mas ainda assim foi mandado embora. Além de perder o emprego, ficou ‘queimado’ no mercado de trabalho, e resolveu entrar com uma ação trabalhista contra os ex-patrões.

Quando o caso foi elucidado, não havia ficado claro nas investigações quem estaria dirigindo o veículo Gol usado para dar fuga ao atirador. E após a prisão dos empresários, a mulher passou a ser pressionada por um suposto envolvido no crime, que trabalhava como agente penitenciário na mesma unidade prisional (já que ele estava com medo de ser descoberto como cúmplice).

Foi então que a mulher decidiu contar à Polícia que, no dia do crime, quem estaria participando do assassinato de Emerson seria o policial penal. “Obviamente o que a Polícia Civil fez? Já entrou com pedido de busca e apreensão, e já fomos correndo para a casa do agente penitenciário. Apreendemos uma arma de fogo que tinha inclusive o mesmo calibre da arma utilizada no crime”, comentou o Delegado de Polícia Civil, Núbio Lopes.

O DEPOIMENTO DO NOVO SUSPEITO

Assim que questionado sobre os acontecimentos, o agente penitenciário negou a participação no crime. Em depoimento, ele afirmou que teria trabalhado durante a noite e que ao sair (por volta das 7h00min da manhã) foi para casa dormir, onde ficou até às 13h00min. O suspeito continuou relatando que depois de acordar, foi almoçar na casa da mãe e posterior foi ao Shopping, indo embora para casa.

“Ele ainda teria dito que só tomou conhecimento do homicídio por causa da mídia, já à noite.”

Entretanto, como a Polícia Civil já possuía um inquérito pronto, a investigação confrontou algumas das informações passadas. Com isso, o relato de que o agente teria dormido em casa, ou que esteve no Shopping eram infundadas. Fortes indícios apontaram que o suspeito saiu durante a manhã, andando pela região onde (segundo uma testemunha) poderia ter sido o local do homicídio, por volta das 11h30min.

Emerson Mattes só não foi assassinado naquele horário, pois o agente supostamente estaria com uma criança em seu veículo, e teria perdido a coragem. A Polícia Civil ainda levantou vestígios de que, durante a tarde, o agente esteve na região do local do assassinato, bem como na casa dos mandantes do crime.

Segundo informações da investigação, mesmo sendo negada pelos três envolvidos, o agente mantinha uma relação de amizade com os empresários. O novo suspeito já foi indiciado e está preso desde maio de 2020, tendo sido afastado imediatamente do cargo.

Folha de Vilhena